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Tempo e virtualidade para o processo de ensino e aprendizagem
Daniela Melaré Vieira Barros
As pesquisas da psicologia sobre os elementos da inteligência e as pesquisas de informática sobre as potencialidades das tecnologias têm como características centrais para a educação a conexão entre a linguagem, a memória, o virtual e o ciberespaço no processo ensino e aprendizagem. Tais características tornaram-se eixos para a educação no paradigma atual da sociedade da informação e do conhecimento. Uma sociedade que tem como eixo norteador o tempo e as informações atualizadas sem limites espaciais e temporais. Hawlking (2002, p. 31) define o tempo considerando a seguinte assertiva:
"Quem adota uma posição positivista como abordagem teórica não consegue dizer o que o tempo realmente é. Tudo o que se pode fazer é descrever o que se revelou em ótimo modelo matemático para o tempo e dizer quais as suas previsões."
O tempo para a educação baseia-se em diversas previsões: a do aprendiz, a do conhecimento e, atualmente, a das tecnologias. Estas produzem novas formas de tempo, uma interface de movimento constante que potencializa e ressignifica o cronômetro que as sociedades humanas estabeleceram como convenção. Segundo Piettre (1997), o tempo pode ser considerado como percepção e consciência temporal, baseadas em medidas, marcas e referências comuns. O tempo também existe no espírito, e não só na realidade. Além disso, torna-se claro quando consideramos, por exemplo, o instante, que é uma abstração, exatamente como um ponto.
Hoje o tempo é interfaceado pelo virtual das tecnologias. Esse virtual significa força, potência, uma atualização do que está posto como real. Nas análises de Lévy (2001), a virtualização não é uma desrealização da transformação de uma realidade em um conjunto de possibilidades, mas sim uma mutação de identidade. A partir desses dois elementos, tempo e virtualidade, analisamos uma nova potencialidade para a construção e a produção de conhecimento.
O tempo modifica as junções e as interpretações entre memória e linguagem, porque atualiza a memória e modifica a linguagem. Mas o que é essa potência denominada tempo? As formas de se entender a temporalidade fazem parte do processo da condição do ser humano e são necessárias para a sobrevivência humana.
O tempo tem dois modos de individualização, dois modos de temporalidade muito diferentes. Cronos é o tempo do relógio, do calendário, do compromisso; o outro tempo é o tempo do acontecimento em si, a linha flutuante que só conhece velocidades. Temos uma idéia linear dos conceitos de tempo e espaço. Se, por um lado, tempo e espaço são modelos de fenomenologia no que diz respeito à percepção, por outro, são absolutos e racionais.
Segundo Hawking (2000), o que nos proporcionou pensar diferentemente desse processo foi a criação dos novos conceitos de física quântica, os quais fornecem outras possibilidades do que chamamos quebra de paradigmas de tempo e espaço. A idéia da teoria quântica pode ser representada pelos "pacotinhos" que estão na dimensão do tempo-espaço, comprovando que o pequeno existir material pode mudar o conjunto. A idéia de que não existe o nada entre o espaço e o tempo é redirecionada pela física quântica, propondo que as coisas possam ser potencializadas.
A virtualização como possibilidade do real tem na tecnologia a potencialidade para suprir através do simular. O computador, que é um operador da potencialização da informação para o processo de ensino e aprendizagem, oferece a mais nova forma de se pensar o tempo, o espaço e o conhecimento por meio de virtualização como processo de reflexão. A reflexão, por sua vez, é um processo que precisa de vários elementos para se desenvolver, entre eles, os conhecimentos empíricos, científicos, seu movimento, que se denomina memória e, por fim, sua divulgação por intermédio da linguagem.
A teia do tempo das tecnologias para o processo de ensino e aprendizagem é o que o virtual criou para o tempo, ou seja, uma ampla teia de conexões tanto informacionais quanto simuladores de acontecimentos e a possibilidade de utilizar isso como uma nova forma de se pensar o conhecimento e a aprendizagem. A teia virtual, caracterizada pelo tempo, fez dos nós de conexões mentais o que denominamos pensamento em rede. Conforme Barros (2003), pensar em rede é uma competência desenvolvida a partir das necessidades das tecnologias em desenvolver um novo padrão cultural de aprendizado, que considere o tempo e a informação como eixos centrais, e não mais o conteúdo dessa aprendizagem por si mesmo. Esse padrão tem as tecnologias como potencializadoras na construção, na motivação e na informação do processo de ensino e aprendizagem.
Pensar em rede é descentralizar informações e aplicar conhecimentos em uma junção de áreas, tempo e espaço. Essa teia temporal, que é subsídio para a aprendizagem mediada pelas tecnologias, é o conteúdo pensado das tecnologias em uma tentativa de reflexão diferenciada para o seu uso. Atualmente, as pesquisas educacionais nessa área abordam muito mais a forma técnica de uso e não as potencialidades proporcionadas pela tecnologia.
Daniela Melaré Vieira Barros é doutoranda em Educação Escolar na UNESP e professora do Departamento de Ciências Humanas da Universidade do Sagrado Coração em Bauru (SP).
E-mail: dmelare@fc.unesp.br
REFERÊNCIAS
HAWKING, S. O universo numa casca de noz. São Paulo: Arx, 2002.
_________. Uma breve história do tempo. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.
LÉVY, P. O que é virtual? São Paulo: Editora 34, 2001.
BARROS, D. Educação a distância e o universo do trabalho. Bauru: EDUSC, 2003.
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